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Uma vez que uma mulher se torna mãe, ela será sempre mãe, tenha ou não nascido o seu filho. O filho morto fará parte da sua vida por mais longa que ela seja. O aborto não é definitivamente uma "solução fácil" de um grave problema, mas um acto agressivo que terá repercussões contínuas na vida da mulher.

Recusei fazer amniocentese

 

Quando soube que estava grávida de gémeos tinha 38 anos.

A minha médica insistiu bastante para que fizesse a amniocentese. Era quase uma obrigação física e moral para com os bébés e para comigo mesma.

Sabendo os riscos de a realizar, principalmente para eles, não fui capaz e deixei nas mãos de Deus. Quem era eu para decidir acabar com duas vidas com cerca de 4 meses (altura em que saberia a altura dos resultados)? E porque o faria? Por suspeitar de algumas diferenças?

Nem pensar! (A médica achou que eu era irresponsável).

O André e o Simão nasceram de parto normal, com 48 cm cada um e 2,950Kg e 3,050 Kg respectivamente.

Hoje, têm 7 anos e são dois rapazinhos do mais normal que há. Ou nem tanto, pois têm escoriações de andarem de bicicleta na rua, de jogarem à bola com os meninos vizinhos, de lutarem entre si e com os amigos. Têm um cão e energia para 24 horas. Não são crianças presas em apartamentos.

São crianças inteligentes e usam-na em todos os sentidos.

E eu sou um mãe completamente babada quando os deito às 21h30 e eles adormecem tranquilamente. Às 7h30 do dia seguinte tudo recomeça.

É o milagre da vida!

 

Cidália Gonçalves

 

 

 

  

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«Caímos tão fundo que atrever-se a proclamar aquilo que é óbvio se transformou em dever de todo o ser inteligente». (Georges Orwell)