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Uma vez que uma mulher se torna mãe, ela será sempre mãe, tenha ou não nascido o seu filho. O filho morto fará parte da sua vida por mais longa que ela seja. O aborto não é definitivamente uma "solução fácil" de um grave problema, mas um acto agressivo que terá repercussões contínuas na vida da mulher.
História do aborto: o progressismo
Acontece que o aborto
se instalou entre os postulados do progresso moderno.
O progressismo, na sua origem, respondia a um esquema muito sugestivo: apoiar o fraco, pacifismo, tolerância, não violência. Anos depois, o progressista acrescentou a este credo a defesa da natureza. Para o progressista o fraco era o operário frente ao patrão, a criança diante do adulto, a natureza virgem diante da indústria concomitante. Havia que tomar o partido do indefeso, e era recusada qualquer forma de violência.
Todo um ideário claro e atractivo.
Mas surgiu o problema do aborto e, diante dele, o progressismo vacilou. Já não pensou que a vida do feto estava mais desprotegida do que a do operário ou do pobre, talvez porque
o feto não tinha voz nem voto, e era politicamente irrelevante.
E começou a ceder os seus princípios: contra o feto, uma vida humana desamparada e desprotegida, podia-se actuar impunemente. Não interessava a sua debilidade se a sua eliminação se fazia através de uma violência silenciosa. Os outros fetos ficariam calados,
não se manifestariam nas ruas, não podiam protestar.
O feto passou a ser considerado um intruso inoportuno, como se fosse uma verruga desagradável
que tem que desaparecer, como um mal que não se está disposto a suportar.
E assim se foi manifestando a crueldade da história. A tolerância dos progressistas foi-se tingindo de intolerância fervorosa, de exigência de direitos contra o indefeso. E como se não houvesse milhares de campos onde falta tanto até alcançar a plenitude dos direitos da mulher, a legalização do aborto passou a ser uma das grandes metas de um amplo
sector das progressistas feministas.
No entanto, para os progressistas que ainda defendem os indefesos, e que procuram uma verdadeira tolerância desprezando a violência iníqua, a força da verdade permanece intacta. A morte cruel de um indefeso sempre provocará náuseas, seja de uma explosão atómica, numa câmara de gás ou numa sala de operações esterilizada; e seja legal
ou ilegal.
(Alfonso Aguilló)
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