É fundamental conhecer o mecanismo de acção da pílula do dia seguinte, porque, dependendo de se a pílula actua impedindo a ovulação ou a implantação, o seu uso terá diferente classificação ética.

Conhecer o mecanismo

Imagens do aborto

Consequências psíquicas do aborto

Consequências físicas do aborto

É geralmente admitido que os fármacos utilizados na contracepção de emergência podem actuar, tanto por um mecanismo anovulatorio, impedindo a ovulação e por tanto a fecundação, como antiimplantatório, isto é, dificultando a nidação do embrião no útero e actuando por consequência como abortivo. Mas também podem actuar por outros mecanismos: atrasando a ovulação; modificando a mobilidade da trompa, o que dificulta o transporte do óvulo, do óvulo fecundado ou do embrião; alterando o muco cervical, o que pode dificultar a penetração de espermatozóides no útero e nas trompas, e até actuando como espermicidas (Ann Inter, Med. 137, 180, 2002).

Para fazer uma qualificação ética da contracepção de emergência, e mais concretamente da pílula do dia seguinte, é fundamental conhecer seu mecanismo de acção, pois se a pílula actua impedindo a ovulação ou a implantação, o seu uso terá diferente catalogação ética.

As hormonas femininas

A maioria de autores que publicam em revistas internacionais em língua inglesa desde 1966 a Novembro de 2001 classifica os fármacos utilizados na contracepção de emergência em dois grupos: os que têm principalmente acção anovulatória, e aqueles outros em que prevalece o efeito antiimplantatório. Os estrogéneos actuam fundamentalmente inibindo a ovulação, e os progestagéneos inibindo a ovulação e a implantação. Por isso, quando se retira da pílula dia seguinte o estrogéneo (etinilestradiol), e somente se utiliza um progestagéneo (levonorgestrel), reforça-se sua acção antiimplantatória e debilita-se o seu efeito anovulatório. Isto significa que a acção antiimplantatória que se desenvolve quando se utilizam estrogéneos e levonorgestrel será mais marcada quando se utilizam fármacos que unicamente contêm levonorgestrel, o que em principio pode sugerir que estes fármacos aumentam, em grande número de casos, a sua acção antiimplantatória e, por tanto, abortiva.

Num estudo em que se avalia o efeito do levonorgestrel em três mulheres que acidentalmente tomaram uma elevada doses do fármaco, comprovam-se marcadas alterações no endométrio, que indubitavelmente devem afectar a implantação do embrião (Contraception, 66; 433; 2002). Por isso, sugere-se que, dada a efectividade estatística da contracepção de emergência, esta deve actuar por algum outro mecanismo além de prevenir ou atrasar a ovulação (Am J Obstet Gynecol 190; 53, 2004).

Na maioria dos casos

Pode-se razoavelmente deduzir que o levonorgestrel produz ambos os efeitos, anovulatorio e antiimplantatório. Segundo as últimas revisões bibliográficas, o efeito antiimplantatório é predominante, independentemente do momento em que se tome o fármaco em relação à ovulação. Pode-se concluir, por tanto, que na maioria de casos, actua por um mecanismo antiimplantatório.

Se o mecanismo de acção foi impedir que o embrião humano se implantasse, terminou-se com uma vida humana, diga-se o que se dizer. Pode ou não denominar-se aborto, mas o indubitável é que está a eliminar-se um ser humano, e isto é o único que há de prevalecer para julgar eticamente o facto.

Resumindo, ninguém minimamente informado põe em dúvida que quando óvulo e espermatozóide se unem se cria una nova vida humana, sem que posteriormente se acrescente nada de novo que a converta em humana, nem a implantação no útero de mãe nem o nascimento. Somos tudo o que somos desde o instante da fertilização.

Abortiva

Quando um acto sexual foi fecundante e se ingere a “pílula do dia seguinte”, e sabemos que esta actua modificando a parede uterina de modo que impeça a implantação do ser humano recém-concebido, podemos deduzir razoavelmente que a gravidez fracassou. A tentativa de alguns de redefinir a gravidez como um processo que começa na nidação ou implantação de um novo ser humano é una forma de negar sua existência prévia e justificar sua destruição.

A vida começa no momento da fertilização, e qualquer agente químico que actue de tal forma que cause a destruição dessa vida é um fármaco abortivo. A “pílula do dia seguinte”, neste caso, não actua como anticonceptiva mas como abortiva.

O respeito à vida não admite discriminações. Temos de respeitar a vida de todos: de cada homem, de cada mulher, da criança e do ancião, do pobre e do doente, do imigrante, do inimigo, e do ser humano concebido embora não tenha chegado ainda a nidar no ventre da mãe.

(Dolores Voltas, www.forumlibertas.com)