«Foi como ficar com as mãos manchadas de sangue»

«Foi como ficar com as mãos manchadas de sangue»

Aos amigos que me disseram que não fazia mal nenhum, gostava de dizer que não é verdade: faz mal, sim. Terei esses abortos na minha consciência para o resto da vida. Eles repercutiram-se negativamente nela para sempre. Sei que, enquanto homem, vivi essas situações um pouco “à margem”, já que as mulheres continuam a vê-la como uma coisa exclusivamente delas o que é um problema: o pai tem todo o direito a tentar que a mulher leve a sua gravidez por diante, porque o bebé é de ambos.

Reflectindo sobre o que me poderia ter ajudado para que isto não sucedesse na minha vida, encontrei várias coisas. Primeira: uma educação sexual saudável. Quando comecei a ter relações sexuais, fi-lo para me divertir, sem pensar nas consequências. Como a pílula já era muito utilizada, podia ter relações sexuais sem me preocupar. Demorei muito tempo a perceber que o sexo não se pode desligar da alma.

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«Sentia-me perseguido pela palavra assassino»

«Sentia-me perseguido pela palavra assassino»

Passavam as horas nessa noite e eu continuava a pensar na minha mãe: “Se, com a tua idade, engravidares uma rapariga, vais estragar a tua vida para sempre… “.

Até então, tinha-me parecido boa, essa forma de educar. Pensava realmente que, se lho dissesse, lhe ia pregar o maior susto da vida dela. Agora sei que não é assim. E estou convencido de que é um erro educar dessa maneira. Esse medo da minha mãe foi o que mais influenciou a decisão, pelo menos no que me diz respeito. Mas não a culpo por isso, ela é uma mulher nervosa, algo ansiosa e depressiva. Além disso, é o que a sociedade ensina: a gravidez é um problema que é preciso evitar.

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Toda a gente me dizia: tens de abortar!

Toda a gente me dizia: tens de abortar!

A minha amiga e as enfermeiras insistiram. Que não. Que sim… E a única coisa que me passava pela cabeça era que, no momento em que os tomasse, não haveria volta a dar. Depois, mesmo que quisesse, já não poderia recuperar o meu bebé são. A enfermeira insistia porque tinha outra rapariga à espera. E eu vi-me tão ultrapassada que tomei os comprimidos sem tornar a pensar.

Quando me apercebi do que tinha feito, comecei a sentir-me mal e saí da clínica com o corpo todo a tremer. Além disso, estava sem comer havia várias horas por causa das análises e sentia-me muito fraca. A minha amiga comprou-me comida mas não fui capaz de comer nada. Não me passava na garganta e acabei por chorar.

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«Agora penso no meu bebé a cada instante.»

«Agora penso no meu bebé a cada instante.»

Tenho 31 anos e matei deliberadamente o meu filho. Quando soube que estava grávida, não contei a ninguém. As minhas perguntas eram: o que é que eu vou fazer? Que hei-de fazer com o meu filho? Absurda, egoísta, calculista e fria como uma pedra. Só me queria livrar daquilo que me perturbava e fui à clínica.
Santo Deus! Como fui estúpida! Agora penso no meu bebé a cada instante, penso que sou egoísta, fria, criminosa… De certeza que poderia ser bem-sucedida, como tantas mulheres. Quem me irá perdoar isto? O meu bebé já não está cá, e eu estou vazia, completamente vazia.

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