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Uma vez que uma mulher se torna mãe, ela será sempre mãe, tenha ou não nascido o seu filho. O filho morto fará parte da sua vida por mais longa que ela seja. O aborto não é definitivamente uma "solução fácil" de um grave problema, mas um acto agressivo que terá repercussões contínuas na vida da mulher.

Mulher e médico

 

Um slogan mais: «O aborto é um assunto da mulher e do seu médico»

Sobre isto diga-se o seguinte:

1. «O infanticídio é uma questão entre a mulher e o pediatra».

2. «A escravatura é uma questão entre comprador e vendedor de escravos».

3. «O assassínio é uma questão entre contratante e executante».

4. O aborto (indirecto) poderá ser um assunto entre a mulher e o seu médico, nos casos raros em que há perigo de vida para a mãe e existe um tratamento que pode salvar a sua vida. Nesse caso é que se trata de um acto médico e nesse caso é que a mãe pode decidir renunciar ao tratamento que a pode salvar, arriscando nisso a vida. Mas, como já vimos, estes casos não chegam a 1% dos abortos. Nos restantes não há acto médico: há a perversão da medicina que em vez de ser usada para curar é usada para matar. Há também a quebra de confiança nos médicos: não lhe parece óbvio que o empenho e o cuidado fica muito erodido no médico que aborta bebés nas camas 2, 4 e 6, e assiste partos nas camas 1,3 e 5? E não será verdade que o mesmo médico que mata o filho novo a pedido dos pais vai matar os pais velhos a pedido do filho? Que espécie de médicos são estes?

5. Se o aborto aos sete ou oito meses (ou o infanticídio) não são questões entre a mulher e o médico, é preciso separar o bebé de dez semanas do bebé de 30, para que num caso o assunto seja particular e no outro não. Como o slogan não faz a separação, é completamente inútil. Ou se aceita o aborto em qualquer ponto da gravidez ou se rejeita este slogan.

 

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«Caímos tão fundo que atrever-se a proclamar aquilo que é óbvio se transformou em dever de todo o ser inteligente». (Georges Orwell)