Relação entre aborto e cancro da mama

Por: Drª Angela Lanfranchi

A Drª Angela Lanfranchi é cirurgião da mama, membro do American College of Surgeons, e professora assistente de Cirurgia no “Robert Wood Johnson Medical School” em New Jersey

Quando em 1993 ouvi falar pela primeira vez da relação entre aborto [provocado] e cancro da mama julguei que se tratava de uma fantasia pró-vida. “Estão loucos”, foi o meu juízo imediato. Apesar disso comecei a questionar as minhas pacientes com cancro da mama sobre as suas gravidezes e a sua trajectória. Os resultados surpreenderam-me.

Nos primeiros seis meses tive duas pacientes na casa dos 30 anos com cancro da mama; uma teve sete gravidezes e seis abortos e a outra cinco gravidezes e três abortos. Continuei a ver mais mulheres jovens com antecedentes de aborto a desenvolverem cancro na mama. Evidentemente poderia estar diante de um acaso estatístico.

Em 1996, o professor Joel Brind, da Universidade de Nova York, publicou a sua meta-análise, que revelou que 23 em 28 estudos monstravam uma relação entre aborto e cancro da mama. O alvoroço que tal estudo provocou na Grã-Gretanha, onde foi publicado no Journal of Epidemiology and Community Health, levou o editor a escrever: “Admito que todos aqueles que, como eu, têm convicções “pró-escolha” precisam de, ao mesmo tempo, desenvolver uma convicção que poderia ser chamada de “pró-informação”, evitando censuras paternalistas excessivas aos dados”. De censura paternalista foi a minha experiência todas as vezes que tentei falar nos meios científicos sobre a relação aborto-cancro da mama.

Cerca de 85% dos fumadores não desenvolvem cancro no pulmão. Os médicos que advertem os seus pacientes fumadores do risco de cancro nos pulmões não são considerados “mercenários do medo”. De igual modo, nem todas as mulheres que fizeram abortos padecerão de cancro da mama, apenas 5%. E 95% das pacientes com cancro da mama não terão um historial clínico de aborto. Mas algumas mulheres têm um elevado risco de o contrair. E 5% são muitas mulheres.

Um estudo publicado em 1994 no Journal of the National Cancer Institute mostrou que jovens com menos de 18 anos, que abortem entre as 9 e as 24 semanas, têm cerca de 30% de probabilidade de contrair cancro da mama durante a vida. A página web do US National Cancer Institute sobre riscos reprodutivos, informa as mulheres de que existem estudos que demonstram essa relação.

Muitas pessoas interrogam-me sobre abortos espontâneos no primeiro trimestre de gravidez. Em relação aos efeitos sobre os seios, trata-se de um caso diferente do aborto provocado sobre uma gravidez normal. O aborto espontâneo não aumenta o risco de cancro da mama, dado que está associado a baixos níveis de estrogénio. No entanto, quando a gravidez termina antes das células mamárias alcançarem a sua plena maturidade, a mulher adquire mais lóbulos mamários dos tipos 1 e 2 (glândulas lácteas) do que antes do início da gravidez, pelo que esse risco aumenta. Os seus seios não amadureceram os lóbulos 3 e 4, o que aconteceria no terceiro trimestre e diminuiria tal risco.

A ideologia não deveria impedir a divulgação destas informações. As organizações australianas desajudam as mulheres a exercitar um consentimento informado sempre que lhes negam o conhecimento destes dados. Há 3 acções judiciais em curso nos EUA, interpostas por mulheres não advertidas para este risco antes de abortarem.

Tenho 3 irmãs com cancro da mama e fico ofendida com as pessoas que manipulam os dados científicos em proveito dos seus intuitos, sejam quem forem. Gostava de não encontrar qualquer associação entre aborto e cancro da mama, mas a nossa investigação é sólida e os nossos dados exactos. Não é uma questão de acreditar. É uma questão de constatar.

A informação dá às mulheres a capacidade de fazerem escolhas informadas. As mulheres que optam pelo aborto precisam de estar alerta em relação aos riscos elevados, fazendo mamografias mais cedo e com maior regularidade. Os cancros detectados em mamografias têm maior probabilidade de se encontrarem no estádio inicial e de serem curados. Nenhuma mulher deveria morrer com cancro da mama por não ter sido advertida a tempo para tal risco.

Vi a minha mãe morrer com metástases de cancro da mama. No exercício da minha profissão vejo mulheres jovens com filhos pequenos morrer de cancro da mama. Se a informação que eu presto às minhas pacientes evitar uma morte que seja, com toda a alegria pago o preço de ser considerada uma “mercenária do medo”.

( este texto foi publicado em Factos da Vida)

Fonte: The Age (Australia); Pro-Life Infonet

Mais informação sobre aborto e cancro da mama:

Coalition on Abortion/Breast Cancer: http://www.abortionbreastcancer.com/