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Uma vez que uma mulher se torna mãe, ela será sempre mãe, tenha ou não nascido o seu filho. O filho morto fará parte da sua vida por mais longa que ela seja. O aborto não é definitivamente uma "solução fácil" de um grave problema, mas um acto agressivo que terá repercussões contínuas na vida da mulher.
Criminalizar o aborto?
A criminilização do aborto reduz a barbaridade: "A moral não pode ser promulgada como uma lei [ civil] , mas o comportamento pode ser regulado. Os decretos [ ...] não
podem mudar o coração, mas podem limitar a crueldade" (M. Luther King ).
A legalização do aborto é, segundo alguns, coisa de somenos pois o imprescindível seria promover uma cultura da vida e criar centros de apoio à mesma. Considere-se o seguinte:
1. Nesta matéria, não é tanto a lei que segue os costumes mas sobretudo o inverso: "Modificando-a [a lei] é possível modificar todo o modelo do comportamento humano" (Simone
Veil);
2. Ela tem uma eficácia protectora: "A lei não pode obrigar um branco a amar-me mas pode evitar
que ele me linche" (M. Luther King);
3. Introduzir na
lei a infracção favorece a sua multiplicação;
4. É indispensável "uma legislação preventiva, dissuasiva e mesmo repressiva: preventiva, porque é preciso prevenir uma agressão irreparável contra uma vida humana exposta à eliminação por parte dos mais fortes; dissuasiva, porque importa dissuadir a mãe de decidir abortar e oferecer-lhe soluções alternativas, eficazes e calorosas; repressiva, porque numa sociedade democrática qualquer atentado à liberdade dos outros, e por maioria de razão às suas vidas, deve ser punido, tendo em conta as eventuais circunstâncias atenuantes ou agravantes." (Schooyans);
5. "[ ...] As leis que liberalizam o aborto instigam-no, antecipam-no, tornam-no banal, fazem-no entrar nos costumes. [Além disso] delimitam um espaço jurídico para o crime [ e] corrompem a juventude, tornando-a incapaz de distinguir o bem do
mal e destruindo-lhe o sentido da mais elementar justiça" (idem);
6. Nos USA e em Itália, por exemplo, as organizações de ajuda à vida têm salvo milhares de bebés mas qualquer estudo sério indica que, se o aborto não tivesse sido legalizado,
ter-se-íam salvo milhões.
Concluindo:
1. Não se deve contrapor a precisão de fomentar uma cultura da vida e de fundar centros que apoiem a
mesma à luta contra a liberalização do aborto;
2. Evitar esta é
o mais urgente.
(Nuno Serras Pereira)
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