Pessoas e casos

Um conjunto de textos em que pessoas envolvidas de algum modo em casos de aborto voluntário contam a sua experiência: Bernard Nathanson, Franco Zeffirelli, Sandra Cano e várias outras pessoas não famosas.


«Foi como ficar com as mãos manchadas de sangue»

«Foi como ficar com as mãos manchadas de sangue»

Aos amigos que me disseram que não fazia mal nenhum, gostava de dizer que não é verdade: faz mal, sim. Terei esses abortos na minha consciência para o resto da vida. Eles repercutiram-se negativamente nela para sempre. Sei que, enquanto homem, vivi essas situações um pouco “à margem”, já que as mulheres continuam a vê-la como uma coisa exclusivamente delas o que é um problema: o pai tem todo o direito a tentar que a mulher leve a sua gravidez por diante, porque o bebé é de ambos.

Reflectindo sobre o que me poderia ter ajudado para que isto não sucedesse na minha vida, encontrei várias coisas. Primeira: uma educação sexual saudável. Quando comecei a ter relações sexuais, fi-lo para me divertir, sem pensar nas consequências. Como a pílula já era muito utilizada, podia ter relações sexuais sem me preocupar. Demorei muito tempo a perceber que o sexo não se pode desligar da alma.

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«Sentia-me perseguido pela palavra assassino»

«Sentia-me perseguido pela palavra assassino»

Passavam as horas nessa noite e eu continuava a pensar na minha mãe: “Se, com a tua idade, engravidares uma rapariga, vais estragar a tua vida para sempre… “.

Até então, tinha-me parecido boa, essa forma de educar. Pensava realmente que, se lho dissesse, lhe ia pregar o maior susto da vida dela. Agora sei que não é assim. E estou convencido de que é um erro educar dessa maneira. Esse medo da minha mãe foi o que mais influenciou a decisão, pelo menos no que me diz respeito. Mas não a culpo por isso, ela é uma mulher nervosa, algo ansiosa e depressiva. Além disso, é o que a sociedade ensina: a gravidez é um problema que é preciso evitar.

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Aborto: Arrependidas

Aborto: Arrependidas

Mulher que conseguiu a legalização do aborto nos EUA pede que a Suprema Corte suspenda o decreto

Unindo-se ao pedido de Norma McCorvey – “Jane Roe” no caso Roe vs. Wade – para suspender o decreto que, em 1973, legalizou o aborto nos EUA, a conhecida “Mary Doe” do caso Doe vs. Bolton – o seu nome original é Sandra Cano – solicitou também à Suprema Corte que retire a decisão judicial por ter-se baseado “em mentiras e enganos”.

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O abortista

O abortista

Fui certa vez ouvir uma conferência dada por um médico norte-americano chamado Bernard Nathanson, que, para começar, pousou as mãos abertas sobre a mesa e disse que aquelas mãos tinham feito muitos milhares de vítimas. Era um homem profundamente arrependido, que corria o mundo procurando resgatar alguma paz interior, um homem perseguido por terríveis remorsos. A utilização de uma nova tecnologia para estudar o feto no útero, quando se tornou director de um grande hospital de obstetrícia, fê-lo compreender a enormidade do seu erro.

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Aborto: Franco Zeffirelli

Aborto: Franco Zeffirelli

“Eu sei bem – explicava – o que significa nascer contra o desejo dos outros, porque sou filho ilegítimo. O meu nascimento foi um escândalo. A minha mãe, que era modista, perdeu toda a clientela que tinha na alta sociedade florentina. E desde o princípio teve que ultrapassar milhares de obstáculos para que eu pudesse nascer. Até a sua mãe, minha avó, queria que abortasse. Diziam que eu estaria condenado ao ostracismo. No entanto, ela negou-se redondamente a abortar.

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