Desculpa, filho

Desculpa, filho

O pior mesmo é a parte psicológica…
Se inicialmente fiquei bem, hoje em dia, e passado meses – quase um ano, a verdade é que sinto um enorme vazio e penso constantemente em como seria a criança, invadida de culpa. Embora a situação fosse muito complicada, a verdade é que eu tinha o apoio da minha mãe. E o meu pai, mais cedo ou mais tarde acabaria por aceitar. E o rapaz teria que tomar outra atitude, consciencializar-se e falar com a mãe – esse sempre foi o grande ”medo” dele, já que entre eles existiam alguns dissabores. Ainda assim, tudo acabaria por tomar um rumo, e apesar da sua atitude cobarde, certamente que ele daria um bom pai.
Enfim, tudo suposições que me matam por dentro…
Era nova de mais, ingénua de mais – e verdade seja dita, só compreendemos realmente as situações quando passamos por elas.

Desculpa “filho” por não te ter deixado viver. Garanto, de facto, que jamais repetirei um acto destes, pois dói de mais. Mãe é mãe, ainda que o filho nasça ou não.

Eu achava que a gente só amava uma criança depois que ela nascesse

Eu achava que a gente só amava uma criança depois que ela nascesse

Se eu não podia contar para ninguém, significa que o que eu fiz foi errado e muito errado. Então por que razão meus pais, as pessoas no mundo em que eu mais acreditava, me deram tanto apoio? Por que razão eles não me impediram? Porque permitiram que eu fizesse o que a minha loucura me mandava fazer? Eu era inexperiente, eu tinha apenas 21 anos! Hoje sei o quanto eu era nova e não sabia quase nada da vida.

Toda a gente me dizia: tens de abortar!

Toda a gente me dizia: tens de abortar!

A minha amiga e as enfermeiras insistiram. Que não. Que sim… E a única coisa que me passava pela cabeça era que, no momento em que os tomasse, não haveria volta a dar. Depois, mesmo que quisesse, já não poderia recuperar o meu bebé são. A enfermeira insistia porque tinha outra rapariga à espera. E eu vi-me tão ultrapassada que tomei os comprimidos sem tornar a pensar.

Quando me apercebi do que tinha feito, comecei a sentir-me mal e saí da clínica com o corpo todo a tremer. Além disso, estava sem comer havia várias horas por causa das análises e sentia-me muito fraca. A minha amiga comprou-me comida mas não fui capaz de comer nada. Não me passava na garganta e acabei por chorar.

«Agora penso no meu bebé a cada instante.»

«Agora penso no meu bebé a cada instante.»

  O testemunho de Maria chega-nos através de uma carta ao director de La Razón, o jornal que a publicou em Janeiro de 2001. Em dois parágrafos apenas, esta mulher de 31 anos conta-nos o que sofre agora depois do aborto e como pede perdão ao seu próprio filho....
«Eu tinha apenas 17 anos»

«Eu tinha apenas 17 anos»

Os 27 anos de Alicia e a sua jovialidade escondem um sofrimento atroz. Aos 17 anos, fez um aborto, coagida e intimidada pelo companheiro. Reconhece agora que se deixou levar por ele em tudo, e arrepende-se profundamente de ter perdido voluntariamente um filho.

Naquela altura, eu tinha apenas 17 anos. O meu companheiro tinha mais alguns, várias relações anteriores e um filho pequeno que mimava em tudo. Reconheço que, para aquela criança, o Carlos era um bom pai. Eu estava verdadeiramente apaixonada e nunca tinha estado com outra pessoa. Para ele, a relação não era clara e decidimos viver juntos para solucionar isso, mas não serviu de nada. O Carlos só me usava para fazer amor e eu era incapaz de me aperceber disso. Fazia tudo o que ele me pedia. Qualquer que fosse a hora a que ligasse, eu ia sempre. E, numa dessas noites, fiquei grávida. A sua reacção foi instantânea:
– Acaba com isso, tu não vais ser capaz de criá-lo.