Amniocentese: Nem imaginas!

Amniocentese: Nem imaginas!

Explicaste que, se realmente se verificasse uma doença dessas, poderias abortar e, dessa forma, resolver o problema.

Não te imaginava capaz de matar um filho. Devo ter ficado de boca aberta, porque imediatamente atiraste uma série de justificações. Se eu imaginava como seria a qualidade de vida de uns pais condenados a tratar de um filho gravemente doente. As horas de fisioterapia, os gastos em medicamentos, as faltas ao trabalho. E a qualidade de vida que teria a criança. E o que seria dela depois de os pais morrerem.

Pensei, com tristeza, naquilo que sei acerca da “qualidade de vida” de algumas pessoas que fizeram abortos voluntários. Tenho a certeza de que a qualidade de vida consiste em ter alegria e paz, e de que não é possível tê-las depois de matar um filho.

Recusei fazer amniocentese

Recusei fazer amniocentese

Quando soube que estava grávida de gémeos tinha 38 anos.

A minha médica insistiu bastante para que fizesse a amniocentese. Era quase uma obrigação física e moral para com os bébés e para comigo mesma.

Sabendo os riscos de a realizar, principalmente para eles, não fui capaz e deixei nas mãos de Deus. Quem era eu para decidir acabar com duas vidas com cerca de 4 meses (altura em que saberia a altura dos resultados)? E porque o faria? Por suspeitar de algumas diferenças?

Nem pensar! (A médica achou que eu era irresponsável).

Um irmão diferente

Um irmão diferente

Há também um que fala dos critérios na amizade e diz que só é amigo de quem aceita a sua irmã, não é?

Exactamente, esse miúdo disse coisas extraordinárias. Tem 13 anos e a irmã tem 30 e diz que através da irmã sabe sempre quem são os seus verdadeiros amigos. Alguns, que ele pensava serem seus amigos, mesmo quando ele explica o que ela tem fazem troça, e ele não suporta isso. Esses, no fim de contas, não eram amigos de verdade. A troça está permanente em todos os testemunhos e é o horror dos irmãos. Eles não suportam nem a troça nem certo tipo de olhar que até pode ser de compaixão, mas que é completamente vazio e desinteressado. Todos, sem excepção, dizem que a troça e o olhar dos outros são uma dor enorme para eles.

O olhar dos outros pode magoar e ferir muito?

Sem dúvida e é assim durante a vida inteira, até eu, que sou adulta, não suporto a troça. Não suporto que olhem para o meu filho na rua de certas maneiras.

Os olhos azuis da minha irmã

Os olhos azuis da minha irmã

A Mónica é a minha irmã e irmã de mais três. Gostamos muito dela e ela é muito feliz. Dá unidade à família, está atenta sempre a todos e a cada um.

A sra. eurodeputada não tem os olhos azuis, mas tem uns olhos tão bonitos como os da Mónica. Tem os talentos e as virtudes de avó e de mãe. E tem dificuldades; certamente também chora e se alegra, é mais uma das pessoas deste nosso planeta que acorda todas as manhãs e lava os dentes.

De certeza que já viu um pobre na rua e lhe estendeu a mão direita (a esquerda) ou as duas, ou olhou para uma prostituta e sentiu pena. De certeza que já ajudou alguém em apuros.

Gostávamos que viesse a nossa casa, provasse os “muffins” que a Mónica faz e visse o gosto com que ela põe a mesa. E descobrisse que esta menina de olhos azuis tem… trissomia 21.

Um filho para a eternidade

Um filho para a eternidade

O livro “Un enfant pour l’éternité”, de Isabelle de Mézerac descreve a aventura emocionante de uma mãe diante do diagnóstico pré-natal de trisomia 18, e que decide continuar com a gravidez e acolher seu filho condenado a morrer a partir de seu nascimento. É muito duro seguir passo a passo esta mãe que quer com toda a sua alma ao filho que leva em seu interior, e que está condenada a chorar a sua morte inexoravelmente anunciada. Estamos destroçados, como ela, seu marido e seus filhos, diante da tormenta de sentimentos contraditórios que enfrentam penosamente durante esta espera. Este caminho conduz a um sentimento assombroso de plenitude apesar do sofrimento. “Plenitude deste amor gratuito completamente entregue. Plenitude deste caminho realizado na verdade. Plenitude desta relação conduzida até ao fim.”