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Uma vez que uma mulher se torna mãe, ela será sempre mãe, tenha ou não nascido o seu filho. O filho morto fará parte da sua vida por mais longa que ela seja. O aborto não é definitivamente uma "solução fácil" de um grave problema, mas um acto agressivo que terá repercussões contínuas na vida da mulher.
Mitos do aborto: carniceiros dos becos
Nos Estados Unidos, o mito do cabide ferrugento era muitas vezes associado ao mito do aborto feito por “carniceiros em becos”, numa alusão às condições desumanas em que o aborto era realizado e a falta de qualificações dos seus executantes. O mesmo argumento é utilizado em Portugal como um dos principais motivos para a despenalização do aborto, apenas aqui é feito o apelo à figura das "parteiras" e
dos abortos realizados em "vão de escadas."
Mary Calderone, presidente de uma organização pró-escolha designada de Planned Parenthood (a favor da legalização do aborto), referiu num artigo publicado num jornal cientifico em 1960 que a investigação de outro colega (Dr. Kinsey) mostrava que em 1958 (quando o aborto era ainda ilegal) entre 84 a 87% dos abortos ilegais eram executados por médicos com licença e em boas condições. Mas neste estudo, a Dr. Calderone conclui que “90% dos abortos ilegais são actualmente [em 1960] realizados por
médicos.”
(1) A
ser verdade, a legalização veio a ser uma regularização no negócio.
Ao que parece, os “carniceiros dos becos” de outros tempos transformaram-se nos profissionais de saúde da actualidade, e as suas instalações sem condições, nas clínicas actuais de aborto. O que nos garante que em Portugal não acontecerá a mesma coisa? Não poderão as "parteiras" de hoje ser as profissionais de saúde das clínicas
de aborto induzido de amanhã?
1. Calderone, M.S. (1960). Illegal Abortion as a Public-Health Problem. American Journal of Public Health and the
Nations Health 50(7):948-954.
(Agradecemos a M. D. Mateus
a autorização para publicar na Aldeia este seu trabalho)
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