|
Uma vez que uma mulher se torna mãe, ela será sempre mãe, tenha ou não nascido o seu filho. O filho morto fará parte da sua vida por mais longa que ela seja. O aborto não é definitivamente uma "solução fácil" de um grave problema, mas um acto agressivo que terá repercussões contínuas na vida da mulher.
Mitos do aborto: cabides ferrujentos
Praticamente todas as sociedades têm alguns mitos associados com o procedimento do aborto. Em Portugal instalou-se a imagem do aborto realizado com agulhas de tricô. Nos Estados Unidos, este argumento é exemplificado graficamente na forma do cabide ferrugento. Antes da decisão de legalização do aborto nos EUA (conhecida pelo caso Roe v. Wade), os activistas a favor do aborto afirmavam que devido a diferenças sociais, mulheres que não podiam custear uma viagem ao estrangeiro para se submeterem ao aborto induzido numa clínica, estavam condenadas a fazê-lo a si próprias utilizando um cabide ferrugento. Para dar credibilidade a tal argumento, circulavam estatísticas que mostravam um número entre 5.000 e 10.000 mortes por ano devido a abortos
ilegais.
O mito só foi exposto quando o Dr. Bernard Nathanson, co-fundador da Liga de Acção Nacional de Direito ao Aborto (NARAL, National Action Right to Abortion League) antigo director da maior clínica de aborto no mundo ocidental, disse mais numa entrevista: “Confesso que sabia que estes números eram totalmente falsos e suponho que outros também sabiam (...) Mas dentro da moralidade da revolução, era um numero útil e vastamente aceite, porque motivo iríamos estar a corrigi-lo com estatísticas honestas? A preocupação principal era eliminar as leis, e qualquer coisa razoável que
tinha de ser feita era permissível”. (1)
De acordo com o Gabinete de Estatísticas Vitais dos Estados Unidos (U.S. Bureau of Vital Statistics), o verdadeiro número de casos registados de mulheres que morreram devido a abortos ilegais em 1972 (ano anterior à legalização) foi de 39. E fica por esclarecer
se estas mulheres morreram por utilizarem cabides ferrugentos.
1. Nathanson, B. (1979). Aborting America. Doubleday, New York, 193 pp.
(Agradecemos a M. D. Mateus
a autorização para publicar na Aldeia este seu trabalho)
Voltar a estudos sobre o aborto
|