Os pró-aborto evitam falar sobre o bebé antes de nascer e, quando o fazem, falam dele como se fosse uma pedra amorfa que magicamente ganha características de pessoa mal nasce (ou mal atinge a viabilidade, ou às doze semanas, ou qualquer uma dessas metas arbitrárias tão ao gosto dos defensores do aborto).
Na verdade o bebé que os pró-aborto descrevem aparece como algo destituído de inteligência, de personalidade, de intencionalidade, de psicologia, que está numa cápsula algures em Cefeu ou Orionte, onde nada – rigorosamente nada!- há para explorar e, portanto, o bebé vive num longo bocejo: tal como se fosse um vegetal.
Este tipo de atitude é vital para os pró-aborto, uma vez que a mãe só poderá ter direito a abortar em qualquer caso se o bebé não tiver direito à vida em caso nenhum. Há pois que criar a imagem de um bebé desumanizado, reduzido à condição de apêndice, massa de células, parasita ou vegetal.
A título de exemplo, quando perguntaram a um defensor do aborto da nossa praça se ele tinha consciência de que o aborto destruía uma vida, ele respondeu que “uma couve também é vida”.
Mas há muitos exemplos mais. Um slogan muito vulgar nos EUA diz que “a gravidez é uma doença transmitida por via sexual”; ou, se se quiser, “a gravidez é uma doença venérea”. Portanto, não temos um bebé, um ser-humano, uma pessoa, mas uma vida semelhante à vida do Herpes ou ao vírus da SIDA.
Sobre isto tudo há duas coisas a dizer:
(i) Do ponto de vista científico, nem os bebés antes de nascer são os vegetais que os pró-aborto desejavam nem os bebés depois de nascer ficam substancialmente diferentes do que eram uns momentos (ou semanas, ou meses) antes: o bebé está num processo de envelhecimento como qualquer um de nós.
(ii) Do ponto de vista filosófico, ainda que os pró-aborto tivessem razão na descrição do bebé-vegetal, isso não faria do bebé uma “não-pessoa”, potencialmente executável.
No que se segue interessa-nos o ponto (i). O leitor interessado no ponto (ii) deverá consultar, nas páginas de Internet dos Juntos pela Vida, a secção “Artigos sobre o problema de o que é a “pessoa””, ou o livro “The Moral Question of Abortion” em http://www.ohiolife.org/mqa/toc.htm , especialmente, os capítulos 6 e 7.
Seguem-se, pois, alguns apontamentos do bebé na sua vida intra-uterina para que se possa apreciar até que ponto esse bebé é um vegetal.

“Há onze anos, quando estava a dar uma anestesia por causa de uma gravidez ectópica que rompeu a trompa (aos dois meses), tive oportunidade de ver aquilo que creio ter sido o mais pequeno ser-humano alguma vez visto. Dentro da bolsa de líquido amniótico (que estava intacta) um rapaz nadava com extremo vigor. Este minúsculo ser-humano estava perfeitamente desenvolvido e tinha longos dedos de dactilógrafo. A sua pele era quase transparente e as artérias e veias delicadas eram proeminentes na ponta dos dedos. O bebé estava cheio de vitalidade e nadava toda a bolsa, aproximadamente, uma vez em cada segundo, com braçadas de nadador experiente. Este rapazinho não se parecia de forma alguma com as fotografias e desenhos de embriões que eu até aí tinha visto. Tão pouco ele se parecia com os embriões que tenho visto desde então: obviamente, porque este estava vivo.”
(Cf. P.E. Rockwell, M.D., Director of Anesthesiology, Leonard Hospital, Troy, New York, U.S. Supreme Court., Markle vs. Abele, 72-56, 72-730, p. 11, 1972.)

Em Fevereiro último pretendeu-se LIBERALIZAR a morte de bebés QUATRO semanas mais velhos que este. Quatro semanas mais velhos que um rapazinho cheio de vitalidade e que nada com braçadas de nadador experiente…

PERSONALIDADE

A personalidade e muitos traços psicológicos começam a definir-se antes do nascimento:
“Em última análise a forma como ele se vê a si próprio e, consequentemente, age como uma pessoa triste ou alegre, agressiva ou ponderada, segura ou ansiosa, depende, em parte, da leitura que ele fez de si próprio dentro do útero”.
(Cf. T. Verney & J. Kelly, The Secret Life of the Unborn Child, Delta Books, 1981, p. 12)

“O risco de dar à luz um filho com problemas físicos e psicológicos aumenta 273% nas mulheres que têm um casamento infeliz.”
(Cf. T. Verney & J. Kelly, The Secret Life of the Unborn Child, Delta Books, 1981, p. 49)

“Já sabemos que o tecido nervoso do embrião está aberto à comunicação com a mãe via certos compostos químicos do cérebro chamados “neurotransmissores”. Esta descoberta tem imensas implicações. Significa que o estado emocional da mãe pode afectar o seu bebé PRATICAMENTE DESDE A CONCEPÇÃO. Mesmo antes de o bebé conseguir ouvir dentro do útero, ou pensar conscientemente, ele é capaz de sentir uma discórdia entre os seus pais. Se a mãe está permanentemente tensa ou agitada, o ambiente do filho vai estar constantemente inundado pela bioquímica do medo, da hostilidade, da angústia ou da zanga.”
(Cf. Shettles & Varick, Rites of Life, Grand Rapids: Zondervan, 1983, pp. 87-89)

SENTIDOS

O bebé no útero tem sentidos e usa-os:
“Entre a sexta e a sétima semana (…) se tocarmos suavemente os lábios, o bebé responde virando o corpo para um lado e fazendo um movimento rápido com os braços. A isto chama-se “total patern response” porque envolve a maior parte do corpo e não uma parte localizada.”
(L. B. Arey, Developmental Anatomy, (6th ed.), Philadelphia: W. B. Sanders Co., 1954)

Às oito semanas, “se tocarmos o nariz do bebé, ele afasta a cabeça para longe.”
(A. Hellgers, M.D., “Fetal Development, 31,” Theological Studies, vol. 3, no. 7, 1970, p. 26 )

“A audição está presente no bebé 14 semanas após a concepção. Isto envolve um cérebro a funcionar e padrões de memória.”
(Cf. M. Clemens, “5th International Congress Psychosomatic,” OB & GYN, Rome: Medical Tribune, Mar. 22, 1978, p. 7.)

“Música muito alta leva o bebé a tapar os ouvidos. Aos quatro meses e meio, uma luz muito forte colocada sobre o abdómen da mãe, leva o bebé a tapar os olhos.”
(T. Verney & J. Kelly, The Secret Life of the Unborn Child, Delta Books, 1981, p. 49)

“Aos dois meses umas batidas na bolsa de líquido amniótico resulta em movimentos dos braços… o cérebro recebe o estímulo, escolhe uma resposta e transmite um sinal aos braços”.
(Cf. M. Rosen, Learning Before Birth, Harpers Magazine, April 1978.)

“As papilas gustativas começam a trabalhar entre a décima terceira e a décima quinta semanas de gestação.”
(Cf. Mistretta & Bradley, Taste in Utero, 1977, p. 62.)

Todos os 20 dentes de leite estão presentes a meio da sexta semana.
(“Life Before Birth,” Life Magazine, Apr. 30, 1965, p. 10)

Convém observar que bebés com as características acima descritas podem ser legalmente abortados em Portugal. Conviria só saber quantas mulheres aceitariam abortar os seus filhos no caso de serem informadas com honestidade: “O seu filho ouve, vê, é sensível aos sabores, o cérebro trabalha, reage, afasta o nariz, o coração bate, já lá estão os dentitos …”

PENSAMENTO

“Quando um adulto prepara algum movimento a partir de uma posição de repouso, a sua pulsação sofre um aumento alguns segundos antes do movimento. Da mesma forma, a pulsação do bebé aumenta seis a dez segundos antes de iniciar um movimento.”
(N. Lauerson & H. Hochberg, “Does the Fetus Think?” JAMA, vol. 247, no. 23, July 18, 1982.)

EMOÇÕES

“Hoje sabemos que o bebé dentro do útero é um ser-humano ATENTO ao seu meio e INTER-AGINDO com ele. Sabemos também que a partir do sexto mês (e eventualmente antes disso) tem uma vida emocionalmente activa.”
(Cf. T. Verney & J. Kelly, The Secret Life of the Unborn Child, Delta Books, 1981, p. 12)

Talvez convenha repetir esta característica das “couves”: “Sabemos também que a partir do sexto mês (e eventualmente antes disso) tem uma vida emocionalmente activa.”

Pela nona semana o bebé “aperta com os seus deditos qualquer objecto que se lhe coloque na palma da mão”
(Cf.Valman & Pearson, “What the Fetus Feels,” British Med. Jour., Jan. 26, 1980)

“Sabemos que o bebé se move com uma graça deliciosa dentro do seu mundo flutuante, sabemos que o conforto determina a sua posição. Ele responde à dor e a qualquer toque, bem como ao frio, ao som e à luz. Ele bebe o líquido amniótico: bebe mais quando o líquido é artificialmente açucarado e bebe menos quando o sabor é desagradável. Ele acorda e adormece. Ele enfada-se com sinais repetitivos mas fica muito desperto mal aparece um sinal diferente.
“É este o feto que nós agora conhecemos e o feto que nós fomos um dia. É este o feto que nós vemos na obstetrícia moderna, o mesmo bebé que nós acompanhamos e tratamos antes e depois do nascimento, que antes do nascimento pode estar doente e precisar de diagnóstico e tratamento tal e qual como qualquer outro paciente.”
(Cf. A. Liley, A Case Against Abortion, Liberal Studies, Whitcombe & Tombs, Ltd., 1971)

APRENDIZAGEM

“A um nível elementar o bebé pode aprender dentro do útero”
(Cf. T. Verney & J. Kelly, The Secret Life of the Unborn Child, Delta Books, 1981, p. 12)

SONHOS

“Usando ultrasons foi possível mostrar que os REM (rapid eye movements), que são característicos dos momentos em que se sonha, estão presentes em bebés com 23 semanas de gestação.”
(Cf . J. Birnhaltz, “The Development of Human Fetal Eye Movement Patterns,” Science, 1981, vol. 213, pp. 679-681)

“Depois deste estudo, já se encontrou sono REM em bebés com 17 semanas de gestação.”
(Cf. S. Levi, Brugman, American Medical Association News, February 1, 1983)

INTENCIONALIDADE

O Dr. Freud (neto do célebre psicanalista de Viena) acompanhou mais de 10000 ecografias e, segundo ele,
“Parece que o feto tem muitíssima intencionalidade”
Uma vez foi-lhe mesmo possível observar dois gémeos à luta (o que, naturalmente, supõe intenção!)
(Cf. 1st International Congress, Pre & Peri Natal Psychology, Toronto, July 8-10, 1983)

CHORO

Os Bebés, antes de nascer podem chorar como qualquer bebé nascido. Só não se ouve por falta de ar, mas…
“(…) [o médico] injectou uma bolha de ar dentro da bolsa de líquido amniótico e depois fez uma radiografia. Aconteceu, porém, que o ar cobriu a cara do bebé. Todo o processo, sem dúvida, o perturbou, pelo que no momento em que ele teve ar para inalar e exalar ouviu-se claramente o protesto de uma “baleia” vindo de dentro do útero. Na mesma noite a mãe telefonou ao médico para dizer que quando ela se deitava para dormir a bolha de ar voltava à cabeça do bebé e ele estava a chorar tão alto que nem ela nem o marido conseguiam dormir.”
(Cf. Day & Liley, Modern Motherhood, Random House, 1969, pp. 50-51).

(Juntos pela Vida)