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Uma vez que uma mulher se torna mãe, ela será sempre mãe, tenha ou não nascido o seu filho. O filho morto fará parte da sua vida por mais longa que ela seja. O aborto não é definitivamente uma "solução fácil" de um grave problema, mas um acto agressivo que terá repercussões contínuas na vida da mulher.

Estudos: aborto e incompetência cervical

 

A incompetência cervical é a principal razão dos nascimentos precoces e perdas durante a gravidez. Pode resultar de uma dilatação forçada e precoce do colo do útero. Normalmente o colo do útero é rígido e apertado. Durante o procedimento de aborto induzido, os músculos cervicais tem de ser dilatados para abrir e permitir ao executante do aborto acesso ao útero. Quando uma placenta bem fixada é raspada juntamente com o feto através de um útero fechado protegido por um colo do útero longo ainda não maduro, este músculo em forma de anel pode ser e geralmente é forçado. Se um número significativo de fibras deste músculo forem distendidas, o colo do útero fica permanentemente enfraquecido ou “incompetente”, ocorrendo os danos maiores se for a primeira gravidez.

O resultado, a incompetência cervical, poderá manifestar-se numa gravidez futura. A mulher pode não conseguir manter o feto até ao fim do período de gestação porque o músculo que mantém o útero fechado suportando o feto está relaxado. Noutras palavras, o colo do útero torna-se fraco e não consegue permanecer fechado e suportar o peso de um feto em crescimento numa gravidez.

As laminárias utilizadas para dilatar o colo do útero antes do aborto induzido são agora raramente utilizadas na maior parte das clínicas porque implicam duas visitas, logo menos volume de pacientes, logo menor rendimento. Mas mesmo a utilização destas estruturas diminui mas não elimina o risco de incompetência cervical. (1)

 

1. Harlap, S., Shiono, P.H., Ramcharan, S., Berendes, H. and Pellegrin, F. (1979). Prospective-Study of Spontaneous Fetal Losses after Induced Abortions. New England Journal of Medicine 301(13):677-681.

 

(Agradecemos a M. D. Mateus a autorização para publicar na Aldeia este seu trabalho)

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