Tese de doutoramento de Miguel Cabral – Transferir o documento em pdf

Se existem situações médicas complexas cujo tratamento adequado compromete a evolução da gravidez e pode causar a morte do feto, poderia parecer que uma atitude de proibição total de uma intervenção médica desta natureza estaria privada de humanidade. Por essa razão, são muitos os que consideram que nalgumas situações médicas graves é lícito recorrer ao aborto. Mas, por outro lado, católicos e outras pessoas de boa vontade não admitem excepções ao princípio da inviolabilidade da vida humana inocente.

Como intervir nos casos de gravidez de risco médico? Quais seriam as razões médicas para abortar? O que disse a tradição e o magistério da Igreja sobre o assunto? Que soluções morais dá a teologia católica? É possível que a medicina evoluída do século XXI não consiga dar respostas terapêuticas que, no contexto duma gravidez de risco, permitam preservar a saúde materna sem comprometer a saúde e a vida do filho em gestação?

Depois de uma panorâmica mais global dos dilemas éticos da gravidez de risco médico, o autor estuda com especial profundidade a associação do cancro na gravidez que, sem dúvida, pode representar um problema clínico complexo e uma situação dramática para a mulher e a sua família. A pouca frequência desta associação, a ausência de dados científicos relevantes e o medo de assumir riscos tem levado a que em muitos casos se recomende o aborto terapêutico. Mas também existem cada vez mais evidências que demonstram ser possível adaptar a abordagem diagnóstica e terapêutica destas pacientes, sem comprometer o prognóstico materno e a saúde da criança.
Sem dúvida que nalguns casos a opção de prosseguir a gravidez adquire um carácter especialmente difícil e doloroso mas provocar o aborto, independentemente dos motivos, nunca pode ter a última palavra e existe sempre o dever de buscar opções terapêuticas dignas da ética médica, quer dizer, respeitadoras da vida da gestante e do feto. De facto, pensamos que a nossa investigação permite-nos afirmar que o cancro não se cura com o aborto e não tem sentido, nem sequer do ponto de vista científico, incluir o aborto na abordagem terapêutica duma gravidez associada ao cancro.

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