Aborto e depressão

Aborto e depressãoUm estudo recente sugere que as mulheres que abortam na sua primeira gravidez não desejada têm maior propensão para o suicídio, aumento do abuso de drogas e para a depressão clínica, do que mulheres que levam a sua gravidez não intencional até ao fim. Este estudo publicado num prestigiado jornal científico de medicina, foi levado a cabo por uma organização Norte Americana de investigação e educação que estuda as complicações pós-aborto e fornece programas de aconselhamento para as mulheres. Os dados deste estudo foram retirados de um estudo nacional sobre os jovens americanos que teve início em 1979. Um subconjunto de 4.463 mulheres foi sondado em 1992 sobre assuntos como a depressão, intenção de gravidez e resultado da mesma. (1)

Uma das conclusões do estudo foi que oito anos após o aborto induzido, as mulheres casadas tinham 138% mais probabilidades de estar em elevado risco de depressão clínica do que as mulheres que levaram a sua gravidez não planeada/intencional até ao fim.

Um outro estudo recentemente publicado revela o risco significativo de episódios psiquiátricos associados ao aborto induzido (2). A equipa de investigadores que efectuou este estudo comparou os tratamentos psiquiátricos entre mulheres que se tinham submetido um aborto induzido e mulheres que tinham levado a gravidez até ao fim. Esta informação foi obtida através do exame de registos médicos de cerca de 173.000 mulheres da Califórnia de estratos económicos baixos. De modo a excluir diferenças induzidas pela saúde psicológica das mulheres antes destes episódios, não foram consideradas todas as mulheres que se tinham submetido a qualquer tratamento psiquiátrico no ano anterior ao resultado da gravidez. O estudo revelou que cerca de 63% das mulheres tinham maior probabilidade de receber tratamento psiquiátrico num período de 90 dias após um aborto do que numa gravidez levada até ao fim. Para além disso, taxas significativamente mais elevadas de tratamentos de saúde mental subsequentes persistem ao longo dos quatro anos de dados examinados para as mulheres que se submeteram a um aborto. O aborto estava mais fortemente associado com tratamentos subsequentes para depressão neurótica, desordem bipolar e desordens esquizofrénicas.

A mesma equipa de cientistas publicou outro estudo baseado em 56.741 pacientes que mostrou que as mulheres que se submeteram a um aborto têm 2,6 vezes mais probabilidades de serem hospitalizadas para tratamento psiquiátrico no período de 90 dias após o aborto ou nascimento (em relação a mulheres que dão à luz). Neste estudo o diagnóstico mais comum foi a psicose depressiva. (3)

Um estudo comparativo realizado entre aproximadamente 1.900 mulheres que na sua primeira gravidez se submeteram a um aborto induzido ou levaram a gravidez até ao fim, revelou que aquelas que decidiram terminar a gravidez com um aborto, tinham 65% mais de probabilidade de estar no risco elevado de depressão clínica. (4)

Na WWW: (CNSNews)

1. Reardon, D.C. and Cougle, J.R. (2002). Depression and unintended pregnancy in the National Longitudinal Survey of Youth: a cohort study. British Medical Journal 324(7330):151-152.

2. Coleman, P.K., Reardon, D.C., Rue, V.M. and Cougle, J. (2002) State-funded abortions versus deliveries: A comparison of outpatient mental health claims over 4 years. American Journal of Orthopsychiatry 72(1):141-152.)

3. Reardon, D.C., Cougle, J.R., Rue, V.M., Shuping, M.W., Coleman, P.K. and Ney, P.G. (2003). Psychiatric admissions of low-income women following abortion and childbirth. Canadian Medical Association Journal 168(10):1253-1256.

4. Cougle, J.R., Reardon, D.C. and Coleman, P.K. (2003). Depression associated with abortion and childbirth: A long-term analysis of the NLSY cohort. Medical Science Monitor 9(4):CR105-112.

(Agradecemos a M. D. Mateus a autorização para publicar na Aldeia este seu trabalho)