Quando comparadas com mulheres que nunca realizaram um aborto, as mulheres que realizam um aborto têm um risco relativo de 2,3 de desenvolver cancro cervical (do colo uterino) e, mulheres com dois ou mais abortos realizados, enfrentam um risco relativo de 4,92. Riscos semelhantemente elevados de cancro dos ovários e do fígado têm sido ligados a um ou mais abortos. Este aumento de incidência de cancro em mulheres que recorreram a um aborto induzido está aparentemente ligado à interrupção anormal das alterações hormonais características da gravidez e a danos cervicais não tratados. (1)

Um estudo realizado na antiga União Soviética baseado em dados de estatísticas oficiais de aborto (legal desde a década de 50) e da incidência regional de cancro no período de 1959 a 1985 revelou uma contribuição significativa do aborto induzido na incidência do cancro cervical. (2)

1. Fujimoto, I., Nemoto, H., Fukuda, K., Masubuchi, S. and Masubuchi, K. (1985). Epidemiologic-Study of Carcinoma Insitu of the Cervix. Journal of Reproductive Medicine 30(7):535-540.; Risch, H.A., Weiss, N.S., Lyon, J.L., Daling, J.R. and Liff, J.M. (1983). Events of Reproductive Life and the Incidence of Epithelial Ovarian-Cancer. American Journal of Epidemiology 117(2):128-139.; Beral, V., Fraser, P. and Chilvers, C. (1978). Does Pregnancy Protect against Ovarian Cancer. Lancet 1(8073):1083-1087.; Lavecchia, C., Negri, E., Franceschi, S. and Davanzo, B. (1992). Reproductive Factors and the Risk of Hepatocellular-Carcinoma in Women. International Journal of Cancer 52(3):351-354.

2. Remennick, L.I. (1989). Reproductive Patterns and Cancer Incidence in Women – a Population-Based Correlation Study in the USSR. International Journal of Epidemiology 18(3):498-510.

(Agradecemos a M. D. Mateus a autorização para publicar na Aldeia este seu trabalho)