Alicia

 

Alicia, a quem mudamos o nome para proteger a sua identidade, é uma dos milhares de mulheres que são atendidas todos os anos nos “Centros de Ayuda para la Mujer” no México. O seu testemunho, que nos pediu déssemos a conhecer para ajudar outras mulheres, é uma amostra de que a legalização do aborto não é o caminho para o erradicar… O caminho para acabar com o aborto é o AMOR e a solidariedade com cada mulher… e com o seu filho.

Meu nome é Alicia, tenho 18 anos e actualmente estudo Licenciatura em Turismo numa universidade da minha cidade… Tenho uma bebé que vai fazer 4 meses e estou fascinada com ela, parece que voltei a nascer! É idêntica a mim… e adoro-a.

Actualmente o meu noivo, Luís, e eu estamos a fazer planos para o casamento… Toda a gente está feliz e nos tem apoiado muito! Jamais teria imaginado isto, quando soube que estava grávida, apenas há uns meses atrás.

É incrível como a mão de Deus esteve a todo o momento presente na vida da minha filha, já que a diferença entre a sua vida ou a sua morte foi somente de “UM DIA”.

A médica que me atendeu foi quem me deu a noticia da minha gravidez. Fiquei gelada… Nesse momento, a última coisa que desejava ouvir era precisamente o que estava a ouvir.

Muito “compreensiva”, a médica, vendo que eu não conseguia parar de chorar perguntou-me: Que pensas fazer? Queres ter a criança?…

Que pergunta! Era óbvio que nessa situação não a queria ter. Disse-lhe que não, e ela disse-me que aqui no México o aborto era ilegal, mas que podia marcar-me uma consulta numa clínica nos Estados Unidos onde o podiam fazer. Só tinha de esperar pelo dia seguinte, porque o número telefónico da clínica tinha mudado e era preciso conseguir o novo número. “Volta amanhã, para te dar o novo telefone e poderes marcar e teu “encontro””, disse-me. Quanta amabilidade! Pensei: “esta médica verdadeiramente quer ajudar-me…”

Saí dali desesperada e muito triste, pensando no que fariam os meus pais se chegassem a saber da minha gravidez… Sim, um aborto… Isso é o mais indicado, sobretudo agora que só tem 8 semanas… Ainda nem tem forma… É o melhor!

Comentei com o Luís o que me dissera a doutora, e ele disse-me que me apoiava naquilo que eu decidisse. Mas comentou-me que um amigo sabia de “outro lugar” onde talvez pudessem ajudar-nos… que possivelmente aí nos ficaria “mais barato” do que nos Estados Unidos… Foi assim que a mão de Deus começou a proteger a minha filha, desde então: com esse “volta amanhã” tudo mudou para ela…

Marcámos um encontro nesse mesmo dia e fomos ao tal lugar, que afinal era uma organização pró-vida.

Nesse abençoado lugar abriram-nos os olhos; tranquilizaram-nos; deram-nos segurança e apoio; mostraram-nos o desenvolvimento do nosso bebé com fotografias e em vídeo; falaram-nos do que era o aborto, seus riscos e consequências físicas e psicológicas; e enviaram-nos, de modo gratuito, a um médico que pela primeira vez nos mostrou a nossa bebé a través dos ultra-sons…

Quando a vi a mexer-se e a chuchar o seu dedito, senti uma emoção que não posso descrever… Escutei o bater do seu coração… e desde esse mesmo instante soube que a minha filha nasceria… Que cegos estávamos!

Agora, sabia que o difícil era enfrentar as coisas na minha casa. Tive muito apoio por parte das pessoas que trabalham nessa instituição que sei que está presente, graças a Deus, em quase em todo México e é gratuita. A minha conselheira esteve sempre comigo e apoiava-me em todo momento… Vimo-nos várias vezes antes de me atrever a falar do assunto na minha casa. Por fim decidi-me… Não vou contar pormenores, mas a reacção, sobretudo a do meu pai, não foi como eu esperava: foi, antes, de compreensão e apoio. É claro que no começo foi um “drama”, mas, como bem me advertiram, é uma situação que passa, algo temporário… E é natural, já que é algo totalmente surpreendente e não precisamente o “sonho ideal” que qualquer pai tem para sua filha. Mas assim sucederam as coisas e agora estão encantados com a Mariana. Enchem-na de amor e de cuidados, e a menina sente-se muito querida entre nós.

Dou graças a Deus por ter reconsiderado a tempo, Não sei o que seria hoje da minha vida se tivesse praticado um aborto. Sei que não me teria perdoado nunca. Estou convencida de que a crise dos primeiros meses passa com o tempo, e quando a tormenta passa, ao ter a bebé nos braços, todo o passado se esquece e só queremos abraçá-la, beijá-la, lutar por ela e fazê-la feliz.

O meu conselho a qualquer mulher na minha situação é que procure ajuda. Nesses momentos, como estamos afundadas no desespero, não pensamos com os cinco sentidos… Buscamos uma saída fácil e julgamos que o aborto é a solução. Necessitamos de alguém que nos fale com a verdade, nos faça reconsiderar… que nos mostre a maravilha que há no nosso ventre quando estamos grávidas, e que não no-la ocultem para tirar um proveito próprio. Devemos compreender que nesses momentos temos verdadeiramente uma vida humana nas nossas mãos… A decisão é nossa.

Problemas? Sempre haverá problemas nas nossas vidas, abortemos ou não…. E creio que a melhor maneira de os superar é com a fronte muito levantada e com a nossa consciência tranquila; com a segurança de ter agido responsavelmente, assumindo as consequências dos nossos actos e de não ter ferido um ser inocente que, além disso, se lhe damos essa oportunidade, no futuro será o centro e a felicidade das nossas vidas.

Muito obrigada..

Nota: Este testemunho vem do “Centro de Ayuda a la Mujer” em Hermosillo, Sonora, México.

Tradução de M.M.